Corrupção: um problema cultural

Apesar do post de hoje parecer off-topic observe que ele está na categoria “diferenças culturais”, ou seja, ele tem tudo a ver com os estudos de idiomas, já que questões culturais fazem parte.

Na verdade a idéia deste post veio quando um tópico no fórum do EE sobre o dia dos professores se tornou um debate político sobre voto e corrupção, isso tudo durante as eleições presidenciais. Eu acabei deixando a poeira baixar para falar sobre o assunto aqui no blog.

O leitor Adriano Japan levantou no fórum do EE um assunto muito interessante. Vamos ler as sábias palavras do Adriano:

Tudo bem, eu concordo que no Japão tem corrupção, como em qualquer lugar do mundo. Não é mesmo? Mas e o que é que faz um político de qualquer esfera (municipal ou federal) quando é pego com a boca na botija? Renuncia na hora, chama uma coletiva de imprensa, chora, abaixa a cabeça se retrata para a sociedade, isto quando não se mata, de vergonha de encarar as pessoas.


No Brasil, dá um nojo de ver como os políticos são eleitos não para servir o povo, mas se servir do povo. É pego na cara dura, com direito a imagem e tudo, e o que se faz?

  • Nega.
  • Recorre.
  • Ri da nossa cara.

Agarra com unhas e dentes o cargo, como um patrimônio pessoal (e da família). Renuncia para não ser cassado e ainda não tem um pingo de vergonha de se candidatar na próxima eleição.

E o pior: ainda consegue ser reeleito!

Por que a corrupção não causa espanto no Brasil?

Eu já sei a resposta! É porque eu pago propina, é porque eu voto em políticos que ainda vão descobrir o que vão fazer na câmara dos deputados, eu voto em políticos com a ficha corrida maior do que muito bandido condenado, eu furo a fila do banco enquanto converso com um amigo que está lá na frente, eu chamo o policial para conversar “reservadamente” e dou um trocado para ele aliviar a barra, eu compro som de carro de procedência duvidosa, eu compro contrabando, eu uso software pirata etc.

Observe que eu usei a primeira pessoa no parágrafo anterior de forma proposital. É muito fácil dizer nós, eles, as autoridades, o brasileiro, os lideres etc. Isso é passar a responsabilidade para o outro. Sim, é muito difícil dizer: Eu sou o culpado! Então a mudança começa comigo.

Eu não esqueço de um professor de filosofia (Ruy Klassmann, saudades de suas aulas) que dizia se você é parte da solução, também é parte do problema. Ruy, concordo com você.

Todo ano é a mesma, coisa a câmara e o senado aproveitam os períodos do ano que eu estou “distraído” (natal, copa do mundo, final do brasileirão) para votar os projetos mais prioritários (para quem?).

A notícia de hoje tem a seguinte chamada: Câmara aprova salário de R$ 26,7 mil para parlamentares e presidente. Após aumento salarial, deputados saem de férias e o Tiririca aprende a contar até 26 mil!

Eu mereço!

Enquanto isso eu pago o preço da corrupção: faltam médicos no maior hospital de minha cidade, as ruas estão esburacadas e nem começaram as chuvas e o Brasil foi rebaixado no campeonato mundial de educação.

Ah! Claro, a culpa é das autoridades. Oppps!

Alessandro

Alessandro Brandão

Alessandro Brandão é analista de sistemas e coordenador do Fórum de Idiomas. Atualmente trabalha em projetos na área de Comércio Eletrônico e Ensino a Distância (EaD).

Mostrar 11 comentários